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A segurança também pode e deve partir de nós

Não, a culpa da violência não é da vítima. Mas alguns cuidados preventivos podem diminuir os riscos de situações perigosas e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), qualidade de vida é “a percepção do indivíduo de sua posição na vida no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”. Nesse contexto, liberdade de ir e vir e sensação de segurança atuam como protagonistas quando se fala no assunto. Em uma realidade com fortes índices de violência urbana, também podemos fazer nossa parte inserindo alguns cuidados na rotina, que podem garantir maior tranquilidade no dia a dia e evitar o estímulo de medos que contribuem para um receio de aproveitar a Cidade.

“Recebemos muitos pacientes que nos procuram nessa dinâmica de pânico. Para além disso, tem também todo o espetáculo do medo. Há um sistema social, todo um problema em termos de políticas públicas que deixam muito a desejar, e o medo também é reforçado pelos meios de comunicação”, explica Katiana da Costa Santiago, psicanalista, psicóloga e neuropsicóloga especialista em Neuropsicologia. Além da importância de procurar ajuda em casos de fobias, a psicóloga também alerta para cuidados que podem garantir uma maior tranquilidade durante determinadas atividades, por diminuir as chances de alguma violência.

“Faço caminhada e passo por ambientes mais inseguros há 14 anos, nunca me aconteceu absolutamente nada. Eu não ando com joias, celulares, tento andar de uma forma muito simples. Não é culpa nossa termos nossos recursos, batalhar para ter nosso dinheiro, mas algumas coisas podemos fazer. Saímos muito mais leves quando andamos mais livremente sob esses aspectos”, aconselha.

Primeiro passo: entender

Para Giuliano Loureiro, presidente da Servis Segurança, entender o que pode ocasionar perigo no dia a dia é o primeiro passo para saber prevenir situações de risco. “Se eu não entendo o assunto, como me posiciono diante dele? Lá fora, você tem um problema de terremoto, tempestade, mas eles entendem como a natureza age e tentam perceber antes como se proteger, como se posicionar. Nosso problema aqui é outro, é violência urbana. É uma situação das grandes cidades”, explica.

Segundo o presidente, a segurança deve ser encarada como um estilo de vida, para que cada um possa perceber como pode contribuir. “No final do mês, eu vou sacar meu dinheiro no banco, à noite? Não vou. Eu vou, de noite, abastecer meu carro? Não vou. Vou para o shopping à noite, vou voltar sozinho e vou voltar por aquela rua mais perigosa? Não vou”, exemplifica.

É, inclusive, com o entendimento de todos os aspectos da rotina do indivíduo que uma empresa de segurança vai estabelecer o que pode ser necessário para ele em termos de segurança privada. “’No meu trabalho, eu tenho que rodar com o carro à noite e não tenho como parar em estacionamentos. Ah, então eu preciso de um rastreador.’ É a necessidade de cada um. Ou ‘Ah, eu vou ao trabalho e o carro fica na garagem. Volto para casa, ele fica na garagem.’ Então, está mais tranquilo. Não precisa. É feita essa ponderação”, detalha Loureiro sobre soluções específicas que a empresa privada disponibiliza para cada situação.

Atenção sim, tensão não

Evitar andar com joias ou equipamento de tecnologia à mostra, demorar ao entrar no automóvel, não estar com as chaves à mão no momento de entrar em casa, optar por uma rua mais deserta por ser o caminho mais curto, entre outras desatenções, podem contribuir para situações de violência já iminentes. A culpa nunca é da vítima. Mas prevenir pode evitar alguns riscos.

“São duas atitudes nossas, uma atitude de prevenção e uma de atenção. Se eu tomo todas essas prevenções antes, já estou fazendo a minha segurança. E atenção no sentido de que a maioria dos casos de abordagens da violência urbana é feita em cima da nossa desatenção. Você vai para o carro e está olhando o celular, com uma bolsa pendurada. O criminoso escolhe, ele quer facilidade”, alerta Giuliano Loureiro.

Para o presidente da Servis, sentir-se seguro muda por completo a qualidade de vida do indivíduo, que, muitas vezes, deixaria de sair de casa por medo da violência urbana. “Você começa a ficar preso e a criminalidade solta. Acho que temos que desmistificar um pouco isso. Vamos entender e nos posicionar diante disso, não nos trancar”, aconselha, destacando que ninguém deve viver sua vida em cima de um medo de algo que não necessariamente vai acontecer. “Quando se fala em segurança, a pessoa já pensa no crime, no assalto e não quer conversar. Nos apavoramos. Vamos entender, vamos tornar isso um hábito nosso. Quais são os hábitos que posso colocar na minha rotina. Não é o pânico. É o estado de atenção muito mais que o de tensão.”

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